Pertencimento
- chavessistemica
- 17 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Em qualquer família, seja ela grande, pequena, organizada, bagunçada, existe uma lei invisível que atua com força e precisão: a ordem do pertencimento. Bert Hellinger observou que todos os membros de um sistema têm o mesmo direito de existir dentro dele. Nenhuma vida é maior ou menor. Nenhuma história é irrelevante. Nenhuma pessoa é dispensável.
Quando alguém é excluído, a família sente
Às vezes, por dor, vergonha, segredo ou repetição de padrões, alguém é deixado de fora:
um avô que ninguém menciona,
um irmão que morreu cedo,
uma ex-parceira esquecida,
um aborto nunca reconhecido,
um tio que “deu trabalho” e foi silenciado,
um antepassado cuja história foi apagada.
Essas exclusões não acontecem apenas na mente; elas reverberam no campo familiar, aquele espaço simbólico onde memórias, emoções e vínculos atravessam gerações.
Quando alguém é excluído, o sistema busca restaurar o equilíbrio, como se dissesse: “Aqui, ninguém fica de fora.”
O movimento compensatório: quando um descendente carrega o que não é seu
De maneira inconsciente, um membro mais novo da família pode assumir o lugar daquele excluído:
repetindo comportamentos,
carregando emoções que não compreende,
sentindo-se deslocado sem motivo,
vivenciando culpas ou dores que não são suas,
fracassando onde poderia prosperar,
adoecendo no nível emocional, relacional ou profissional.
Esse fenômeno tão bem explorado por Mark Wolynn em “Não Começou com Você” , mostra que o lealdade familiar inconsciente é um dos vínculos mais fortes que existem.
Não se trata de culpa, mas de amor. Um amor profundo, infantil e cego, que tenta reparar algo que não deveria estar nos ombros daquele que carrega.

Incluir é curar
A cura não está em apagar a dor, nem em resgatar o passado como se pudéssemos reescrevê-lo.
A cura está em reconhecer.
Quando um sistema inclui aquele que foi esquecido, algo se organiza internamente. É como se o campo dissesse: “Agora estamos completos. Agora podemos seguir.”
Incluir significa:
lembrar,
dar um lugar simbólico,
honrar a existência,
dizer internamente: “Você pertence.”
E quando isso acontece, o descendente que carregava o peso pode finalmente se libertar.
Pertencer é existir plenamente
Todos nós queremos pertencimento. É uma necessidade básica, emocional e espiritual.
Quando reconhecemos nossos ancestrais com suas falhas, dores, grandezas e limites, nos conectamos com a força que vem antes de nós.
E é dessa força que nasce a liberdade interior.

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