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Pertencimento

Em qualquer família, seja ela grande, pequena, organizada, bagunçada, existe uma lei invisível que atua com força e precisão: a ordem do pertencimento. Bert Hellinger observou que todos os membros de um sistema têm o mesmo direito de existir dentro dele. Nenhuma vida é maior ou menor. Nenhuma história é irrelevante. Nenhuma pessoa é dispensável.


Quando alguém é excluído, a família sente

Às vezes, por dor, vergonha, segredo ou repetição de padrões, alguém é deixado de fora:

  • um avô que ninguém menciona,

  • um irmão que morreu cedo,

  • uma ex-parceira esquecida,

  • um aborto nunca reconhecido,

  • um tio que “deu trabalho” e foi silenciado,

  • um antepassado cuja história foi apagada.

Essas exclusões não acontecem apenas na mente; elas reverberam no campo familiar, aquele espaço simbólico onde memórias, emoções e vínculos atravessam gerações.

Quando alguém é excluído, o sistema busca restaurar o equilíbrio, como se dissesse: “Aqui, ninguém fica de fora.”


O movimento compensatório: quando um descendente carrega o que não é seu

De maneira inconsciente, um membro mais novo da família pode assumir o lugar daquele excluído:

  • repetindo comportamentos,

  • carregando emoções que não compreende,

  • sentindo-se deslocado sem motivo,

  • vivenciando culpas ou dores que não são suas,

  • fracassando onde poderia prosperar,

  • adoecendo no nível emocional, relacional ou profissional.

Esse fenômeno tão bem explorado por Mark Wolynn em “Não Começou com Você” , mostra que o lealdade familiar inconsciente é um dos vínculos mais fortes que existem.

Não se trata de culpa, mas de amor. Um amor profundo, infantil e cego, que tenta reparar algo que não deveria estar nos ombros daquele que carrega.


Incluir é curar

A cura não está em apagar a dor, nem em resgatar o passado como se pudéssemos reescrevê-lo.


A cura está em reconhecer.

Quando um sistema inclui aquele que foi esquecido, algo se organiza internamente. É como se o campo dissesse: “Agora estamos completos. Agora podemos seguir.”

Incluir significa:

  • lembrar,

  • dar um lugar simbólico,

  • honrar a existência,

  • dizer internamente: “Você pertence.”

E quando isso acontece, o descendente que carregava o peso pode finalmente se libertar.


Pertencer é existir plenamente

Todos nós queremos pertencimento. É uma necessidade básica, emocional e espiritual.

Quando reconhecemos nossos ancestrais com suas falhas, dores, grandezas e limites, nos conectamos com a força que vem antes de nós.

E é dessa força que nasce a liberdade interior.

 
 
 

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